sexta-feira, 1 de agosto de 2014

“O modelo dos modelos”

Italo Calvino

Houve na vida do senhor Palomar uma época em que sua regra era esta: primeiro, construir um modelo na mente, o mais perfeito, lógico, geométrico possível; segundo, verificar se tal modelo se adapta aos casos práticos observáveis na experiência; terceiro, proceder às correções necessárias para que modelo e realidade coincidam. [..]
Ao longo do texto o Sr.Palomar vai mudando seus conceitos. Acredito que no nosso trabalho este olhar também perpassa a busca de modelos perfeitos para o aluno real.
A sociedade se adapta para poder incluir em seus sistemas sociais pessoas que fogem ao modelo ideal e, simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papéis na sociedade. (...) Incluir é trocar, entender, respeitar, valorizar, lutar contra exclusão, transpor barreiras que a sociedade criou para as pessoas. É oferecer o desenvolvimento da autonomia, por meio da colaboração de pensamentos e formulação de juízo de valor, de modo a poder decidir, por si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da vida.
Na SRM este trabalho necessita do olhar para o aluno real,  visando suas habilidades e suas potencialidades.
Acreditar na potencialidade do aluno, desenvolvendo assim através de objetivos concretos atividades que possam ajuda-lo nesta aprendizagem fazem com que esse modelo encontre seu lugar, sendo respeitado e valorizado.
É um trabalho em parceria com a professora da sala comum, com os funcionários da escola, com as famílias. Todos numa mesma sintonia para que como relatou  Sr.Palomar (... )apagar da mente os modelos e os modelos de modelos, pois devemos aceitar as pessoas como elas são.


segunda-feira, 9 de junho de 2014

SUGESTÕES DE RECURSOS DE BAIXA TECNOLOGIA PARA ALUNOS COM TGD/TEA

Comunicação - Recursos e estratégias em baixa tecnologia

Introdução:

...o desenvolvimento humano acontece através da comunicação e esta ocorre com a interação entre as pessoas.
Nos casos de Transtornos do Espectro autista, há falhas na interação nos sujeitos, causando déficits de comunicação.
A área da Tecnologia Assistiva que se destina especificamente à ampliação de habilidades de comunicação é denominada de Comunicação Alternativa (CA).
O conceito da Comunicação Alternativa tem o intuito de definir as diferentes formas de comunicação como gestos, língua de sinais, expressões faciais, e até o uso de softwares capazes de apoiar a comunicação. O termo CA é utilizado neste trabalho como todas formas de comunicação para substituição, complemento ou ampliação de oralidade.

Segue abaixo atividade referente:





Atividade de Rotina
PÚBLICO ALVO: Crianças com TEA com dificuldades de comunicação e interação social.
LOCAL DE UTILIZAÇÃO: O material deverá ser utilizado na sala regular.
Introduzir imagens para antecipar situações da rotina escolar vivenciada pelo aluno e seus colegas.
A professora do AEE juntamente com a professora da sala de aula organizam a sequencia da rotina.
A professora do AEE prepara o material com as fotos e mostra para a professora da sala como será a execução desta tarefa.
A mediação da professora e da auxiliar é imprescindível pois norteará o inicio e o término da atividade.






Atividade de comunicação – Chamada

PÚBLICO ALVO: Crianças com TEA com dificuldades de comunicação e interação social.

LOCAL DE UTILIZAÇÃO: O material deverá ser utilizado na sala regular.

Através de imagens correspondentes aos alunos da sala de aula, o aluno com TEA poderá reconhecer seus colegas através de fotos e a escrita do nome.
A professora da sala fará a mediação deste trabalho, proporcionando uma interação entre os alunos.
O objetivo desta atividade é que o aluno compreenda a existência de si próprio e de outras pessoas.


Bibliografia:

Bez, Maria Rosangela.  Comunicação Aumentativa e Alternativa para sujeitos com transtornos globais do desenvolvimento na promoção da expressão e intencionalidade por meio de ações mediadoras. Universidade federal do Rio Grande do Sul – Porto Alegra – 2010


domingo, 20 de abril de 2014

SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA



Os indivíduos com perda visual e auditiva são denominados como pessoas com surdocegueira.
Existem graus diferentes podendo ser:
·         Surdocego total
·         Surdocego com surdez profunda associada com resíduo visual
·         Surdocego com surdez moderada associada com resíduo visual
·         Surdocego com surdez moderada ou leve com cegueira
·         Surdocego com perdas leves tanto auditiva quanto visuais
A surdocegueira pode ser:
Congênita: a criança nasce surdocega ou adquire nos primeiros anos de vida.
Adquirida: quando a pessoa ficou surdocega após a aquisição de uma língua, seja oral ou sinalizada.
A deficiência múltipla é considerada como uma associação de duas deficiências ou mais.
Em alguns países a Deficiência Múltipla tem que vir associada a Deficiência Intelectual.
No Brasil pode ser:
·         Física e Psíquica
·         Sensorial e Psíquica
·         Sensorial e Física
·         Física, Psíquica e Sensorial 

O que diferencia a Surdocegueira e a Deficiência Múltipla?
No texto: Aspectos importantes para saber sobre surdocegueira e Deficiencia Múltipla – Prof.Dra.Shirley Rodrigues Maia fala sobre o conceito e definição, onde cita:
“(...) A pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica surdocega não recebe as informações sobre o que está a sua volta de maneira fidedigna, ela precisa de mediação de comunicação para poder receber, interpretar e conhecer o que cerca (...)”
Seu conhecimento de mundo se faz pelo uso dos canais sensoriais como: Tato, olfato, paladar, sinestésico, proprioceptivo e vestibular.
Na Deficiência Múltipla não garantimos que todas s informações, muitas vezes chegam de forma fidedigna, mas ela sempre terá o apoio de um dos canais distantes ( visão e audição) como ponto de referência, esses dois canais são responsáveis pela maioria do conhecimento que vamos adquirindo ao longo da vida.

Necessidades Básicas para os Surdocegos e Deficientes Múltiplos

·         Alimentação
·         Higiene
·         Lazer
·         Comunicação
A Comunicação dessas pessoas pode ser:

Receptiva: Quando alguém recebe e processa a informação através de outra fonte.
Ex: outra pessoa, rádio, TV, objetos, figuras.
É importante que a pessoa que está recebendo consiga interpretar o que está sendo transmitido.
As formas de comunicação receptiva mais utilizadas são:
- Pistas Táteis: São estímulos táteis específicos, executados no corpo da criança para dar-lhes mensagens específicas. Ex: um toque no ombro para indicar que tem alguém do seu lado.
- Objeto de Referência: objetos utilizados diariamente em diferentes atividades os quais são apresentados as crianças como pistas indicando o que vai acontecer a seguir ou o que irá fazer.
Ex: Colocar um boné pode significar um passeio no parque.

Expressiva: a informação pode ser realizada através do uso de objetos, gestos, movimentos corporais, linguagem falada ou escrita, figura, etc. A comunicação expressiva abrange vários  comportamentos comunicativos. para que essa condição se amplie poderá ser utilizado algumas estratégias como:
- Estabelecer contato visual, é importante o ajuste da cabeça para obter e manter a interação
- Dar tempo para a criança processar a informação recebida e se posicionar diante dela
- Oferecer oportunidades de escolha


Comunicação Simbólica: Sistema de palavras, sinais ou objetos usados para se comunicar.
Representa conceitos, ações, objetos e pessoas.

Comunicação Não Simbólica:Sistema de comunicação que é frequentemente utilizado de forma não convencional.
Os indivíduos surdocegos e com deficiência múltipla utilizam esta forma de comunicação para tornar suas necessidades conhecidas.
Geralmente as pessoas mais próximas é que dão significado as vocalizações e movimentos corporais.

O uso de objetos reais é uma possibilidade que consiste em interpretar uma atividade, ação ou situação por meio de objeto, que adquire um valor simbólico. Por meio do uso dos objetos, a criança pode compreender e expressar as intenções comunicativas.

Recursos para Aprendizagem de Alunos com Surdocegueira e Deficiência Múltipla 

-Objetos de referência das atividades

-Caixa de antecipação

-Calendários


...” Não se aprende comunicação efetivamente no isolamento. Os alunos precisam usar uma variedade de formas e funções em diferentes ambientes para adquirir habilidades comunicativas necessárias para sobreviver no mundo real"...(folheto fact 3 – communication/primavera 2005 – tradução Vula Maria Ikonomidis – revisão Shirley Rodrigues Maia – Junho de 2008).


Bibliografia:
- Aspectos Importante para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Multipla – Prof.Dra. Shirley Rodrigues Maia – São Paulo ( 2011).
- Folheto fact 3 – communication/primavera 2005 – tradução Vula Maria Ikonomidis – revisão Shirley Rodrigues Maia – Junho de 2008).
- MEC- Educação Infantil – 5. Saberes e práticas da inclusão-2006 Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla.

terça-feira, 11 de março de 2014

Educação Escolar da Pessoa com Surdez



1.  Introdução

A Educação da Pessoa com surdez vem sido discutida há muito tempo, no que diz respeito às concepções e práticas pedagógicas em prol da educação destas pessoas. Porém, enquanto as discussões ficam focadas na aceitação de uma língua ou de outra, as pessoas com surdez são prejudicadas em seu desenvolvimento escolar. O aluno com surdez necessita de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento e exercitem a capacidade perceptivo-cognitiva e não só uma língua.

2.    Desenvolvimento

Essas concepções fundamentam-se em três abordagens: a oralista, pela comunicação total e pelo bilingüismo.
                   A abordagem oralista visa, como única possibilidade lingüística, a utilização da língua da comunidade ouvinte na modalidade oral, ou seja, faz-se o uso da voz e da leitura labial, tanto na sua inclusão no ambiente educacional quanto sua inserção na sociedade.
A comunicação total considera a pessoa com surdez de forma natural, e prescreve o uso de todo e qualquer recurso para a comunicação.
  Na abordagem por meio do bilingüismo, que visa a utilização de duas línguas, ou seja, a língua de sinais e a língua da comunidade ouvinte, no cotidiano escolar e na vida social, pôde-se constatar, através de estudos, que tal abordagem corresponde melhor às necessidades do aluno com surdez, em virtude de respeitar a língua natural e construir um ambiente propício para a sua aprendizagem escolar. A liberdade de o aluno se expressar e de participar de um ambiente escolar que desafie seu pensamento é favorecida, além do exercício de sua capacidade perceptivo-cognitiva e suas habilidades para atuar e interagir em um mundo social que é de todos[1].
Diante dessas concepções, é preciso repensar e analisar o problema da educação escolar dos alunos com surdez, buscando os reais motivos que possam explicar o seu fracasso escolar, entre os quais, a qualidade da educação escolar e das práticas pedagógicas. Muitas destas precisam ser revistas, a fim de transformar suas práticas excludentes em inclusivas para que apresentem caminhos consistentes e produtivos para a educação de pessoas com surdez.
Nesse sentido, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva, trazendo o Atendimento Educacional Especializado para pessoas com surdez, disponibilizando serviços e recursos, vem de encontro aos propósitos de mudanças no ambiente escolar e nas práticas sociais/institucionais para promover a inclusão dos alunos com surdez na escola comum. Esse atendimento tem como função organizar o trabalho complementar para a classe comum, com vistas à autonomia e à independência social, afetiva, cognitiva e lingüística da pessoa com surdez na escola e fora dela.
O AEE se constitui em três momentos:
·         AEE em LIBRAS, de LIBRAS, de Língua Portuguesa.

3.    Conclusão

A organização didática do AEE PS inicia-se com a formação do professor e a partir do diagnóstico inicial do aluno a elaboração do Plano do AEE envolvendo os três momentos respeitando o ambiente comunicacional das duas línguas e a participação ativa e interativa dos alunos com surdez favorecendo a sua total aprendizagem.

Referências Bibliográficas:
Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar Inclusiva das Pessoas com Surdez na Escola Comum: Questões Polêmicas e Avanços Contemporâneos. In: II Seminário Educação Inclusiva: Direito à Diversidade, 2005, Brasília. Anais... Brasília: MEC, SEESP, 2005. P 46- 57



[1] No decreto 5.626, de 5 de dezembro de 2005, as pessoas com surdez têm direito a uma educação que garanta sua formação, em que a língua brasileira de sinais e a língua portuguesa, preferencialmente na sua modalidade escrita, constituam línguas de instrução, e que o acesso às duas línguas ocorra de foram simultânea no ambiente escolar, colaborando para o desenvolvimento de todo o processo educativo.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Descrição e Audiodescrição


Audiodescrição é uma faixa narrativa adicional para os cegos e deficientes visuais consumidores de meios de comunicação visual. Consiste num narrador que fala durante a apresentação, descrevendo o que está acontecendo.

A partir de 1º de julho de 2011 foi instituída no Brasil a obrigatoriedade de pelo menos duas horas semanais de conteúdo com audiodescrição para emissoras com sinal aberto, na condição de faixa de áudio adicional 2.


Entrevista Graciela Pozzobon - Programa do Jô - Parte 1



Entrevista Graciela Pozzobon - Programa do Jô - Parte 2



Do ponto de vista pedagógico a audiodescrição é uma ferramenta de Tecnologia Assistiva, que favorece o aluno na ampliação dos seus conhecimentos. Esta é uma excelente oportunidade para a inclusão.



Mais um exemplo de audiodescrição:


Extraído de: http://www.filmesquevoam.com.br/filme.php?id=487

domingo, 20 de outubro de 2013

VAMOS BRINCAR?

Pensando numa atividade que podemos realizar individualmente ou em grupo, na Sala de Recursos Multifuncionais ou na Sala de Aula Comum, a Caixa Surpresa ou Caixa Tátil é um recurso bastante interessante.

Esta atividade aguça a curiosidade das crianças.



Sua composição:

Constitui-se em uma caixa de madeira (MDF), contendo duas aberturas protegidas com material emborrachado + 8 pares de peças (Discos) cobertos com materiais de diferentes texturas. 

Material de muita diversão para as crianças, nas brincadeiras de descobertas de objetos contidos na caixa.

Temos a possibilidade de confeccionar este  brinquedo com materiais  recicláveis como caixas de sapatos.



A descoberta através da manipulação deve ser incentivada, para que a criança amplie seu conhecimento do mundo, ampliando também seu repertório através das diferentes experiências e explorações.

Pensando no trabalho da Sala de Recursos Multifuncionais, esta atividade pode ser realizada através da intervenção do professor para diferentes propostas:

  • Os conceitos grosso / fino, liso / áspero serão apropriados pela criança a partir do conhecimento pela manipulação. A caixa tátil incentiva estas descobertas.
  • Colocar as peças redondas dentro da caixa, após mostrá-las para a criança. Pedir que ela encontre os pares, sem olhar, ou seja, duas peças com a mesma textura. A medida que a criança for descobrindo os pares, explicar a ela o nome da textura e seu oposto: lisa ou áspera, grossa ou fina, etc.
  • Você poderá também colocar outros objetos dentro da caixa e pedir que a criança fale o que é, antes de retirá-la. Poderá pedir à criança que faça a identificação,.com outros objetos em pares, um dentro e outro fora.
  • Um outro aspecto que pode ser cogitado no momento da caixa surpresa é que essa também serve para trabalhar aspectos emocionais. Nesse momento, o professor deve ser criativo e perceptivo em relação aos sentimentos dos alunos, propondo que, ao invés de tirar o objeto da caixa, que esta sirva para guardar os sentimentos ruins, como a agressividade – caso algum aluno brigue, a tristeza – caso perceba esse sentimento em alguma criança, a agitação – se alguém não consegue ficar quieto, etc., conseguindo assim, controlar a criança para que não se disperse da atividade.
É importante ressaltar que um objeto tão simples pode proporcionar vários momentos agradáveis, de grande produção para os alunos e professores, servindo de instrumento para o aprendizado de todos.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Recursos da Tecnologia Assistiva

Adaptações de hardware: São todos os aparelhos ou adaptações presentes nos componentes  físicos do computador e nos periféricos ou mesmo quando os próprios periféricos, em suas concepções e construção, especiais e adaptados;




                             (Pulseira de Peso)



                            (Estabilizador de Punho e Abdutor de Polegar)

Adaptações Físicas ou Órteses:
Quando buscamos a postura correta para um aluno com deficiência física, em sua cadeira adaptada ou de rodas, utilizando almofadas, ou faixas para estabilização do tronco, ou velcro  etc., antes do trabalho no computador, já estamos utilizando recursos ou adaptações físicas muitas vezes bem eficazes para auxiliar no processo de  aprendizagem dos alunos. Uma postura correta é vital para um trabalho eficiente no computador.
Alguns alunos com sequelas de paralisia cerebral têm o tônus muscular flutuante (atetóide), fazendo com que o processo de digitação se torne lento e penoso, pela amplitude do movimento dos membros superiores na digitação. Um recurso que utilizamos é a pulseira de peso que ajuda a reduzir a amplitude do movimento causado pela flutuação no tônus, tornando mais rápida e eficiente a digitação. Os pesos na pulseira podem ser acrescentados ou diminuídos, em função do tamanho, idade e força do aluno. Determinado aluno, por exemplo, utiliza a capacidade total de pesos na pulseira devido a intensidade da flutuação de seu tônus e também porque sua complexão física assim o permite.
Outra órtese que utilizamos é o estabilizador de punho e abdutor de polegar.

                             (Pulseira de pesos)

Texto e imagens retirados do site :
www.itsbrasil.com.br