1. Introdução
A Educação da Pessoa com surdez
vem sido discutida há muito tempo, no que diz respeito às concepções e práticas
pedagógicas em prol da educação destas pessoas. Porém, enquanto as discussões
ficam focadas na aceitação de uma língua ou de outra, as pessoas com surdez são
prejudicadas em seu desenvolvimento escolar. O aluno com surdez necessita de
ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento e exercitem a
capacidade perceptivo-cognitiva e não só uma língua.
2. Desenvolvimento
Essas concepções fundamentam-se em três abordagens: a
oralista, pela comunicação total e pelo bilingüismo.
A abordagem oralista visa, como única possibilidade lingüística, a
utilização da língua da comunidade ouvinte na modalidade oral, ou seja, faz-se
o uso da voz e da leitura labial, tanto na sua inclusão no ambiente educacional
quanto sua inserção na sociedade.
A comunicação total considera a pessoa
com surdez de forma natural, e prescreve o uso de todo e qualquer recurso para
a comunicação.
Na abordagem por meio do bilingüismo, que visa
a utilização de duas línguas, ou seja, a língua de sinais e a língua da
comunidade ouvinte, no cotidiano escolar e na vida social, pôde-se constatar,
através de estudos, que tal abordagem corresponde melhor às necessidades do
aluno com surdez, em virtude de respeitar a língua natural e construir um
ambiente propício para a sua aprendizagem escolar. A liberdade de o aluno se expressar
e de participar de um ambiente escolar que desafie seu pensamento é favorecida,
além do exercício de sua capacidade perceptivo-cognitiva e suas habilidades
para atuar e interagir em um mundo social que é de todos[1].
Diante dessas concepções, é
preciso repensar e analisar o problema da educação escolar dos alunos com
surdez, buscando os reais motivos que possam explicar o seu fracasso escolar,
entre os quais, a qualidade da educação escolar e das práticas pedagógicas.
Muitas destas precisam ser revistas, a fim de transformar suas práticas
excludentes em inclusivas para que apresentem caminhos consistentes e
produtivos para a educação de pessoas com surdez.
Nesse sentido, a Política Nacional de Educação Especial
na Perspectiva Inclusiva, trazendo o Atendimento Educacional Especializado para
pessoas com surdez, disponibilizando serviços e recursos, vem de encontro aos
propósitos de mudanças no ambiente escolar e nas práticas
sociais/institucionais para promover a inclusão dos alunos com surdez na escola
comum. Esse atendimento tem como função organizar o trabalho complementar para
a classe comum, com vistas à autonomia e à independência social, afetiva,
cognitiva e lingüística da pessoa com surdez na escola e fora dela.
O AEE se constitui em três momentos:
·
AEE em LIBRAS, de LIBRAS, de Língua
Portuguesa.
3. Conclusão
A organização didática do AEE PS inicia-se com a formação
do professor e a partir do diagnóstico inicial do aluno a elaboração do Plano
do AEE envolvendo os três momentos respeitando o ambiente comunicacional das
duas línguas e a participação ativa e interativa dos alunos com surdez
favorecendo a sua total aprendizagem.
Referências
Bibliográficas:
Mirlene Ferreira
Macedo. Educação Escolar Inclusiva das Pessoas com Surdez na Escola Comum:
Questões Polêmicas e Avanços Contemporâneos. In: II Seminário Educação
Inclusiva: Direito à Diversidade, 2005, Brasília. Anais... Brasília: MEC,
SEESP, 2005. P 46- 57
[1] No decreto 5.626, de
5 de dezembro de 2005, as pessoas com surdez têm direito a uma educação que
garanta sua formação, em que a língua brasileira de sinais e a língua
portuguesa, preferencialmente na sua modalidade escrita, constituam línguas de
instrução, e que o acesso às duas línguas ocorra de foram simultânea no
ambiente escolar, colaborando para o desenvolvimento de todo o processo
educativo.
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