terça-feira, 11 de março de 2014

Educação Escolar da Pessoa com Surdez



1.  Introdução

A Educação da Pessoa com surdez vem sido discutida há muito tempo, no que diz respeito às concepções e práticas pedagógicas em prol da educação destas pessoas. Porém, enquanto as discussões ficam focadas na aceitação de uma língua ou de outra, as pessoas com surdez são prejudicadas em seu desenvolvimento escolar. O aluno com surdez necessita de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento e exercitem a capacidade perceptivo-cognitiva e não só uma língua.

2.    Desenvolvimento

Essas concepções fundamentam-se em três abordagens: a oralista, pela comunicação total e pelo bilingüismo.
                   A abordagem oralista visa, como única possibilidade lingüística, a utilização da língua da comunidade ouvinte na modalidade oral, ou seja, faz-se o uso da voz e da leitura labial, tanto na sua inclusão no ambiente educacional quanto sua inserção na sociedade.
A comunicação total considera a pessoa com surdez de forma natural, e prescreve o uso de todo e qualquer recurso para a comunicação.
  Na abordagem por meio do bilingüismo, que visa a utilização de duas línguas, ou seja, a língua de sinais e a língua da comunidade ouvinte, no cotidiano escolar e na vida social, pôde-se constatar, através de estudos, que tal abordagem corresponde melhor às necessidades do aluno com surdez, em virtude de respeitar a língua natural e construir um ambiente propício para a sua aprendizagem escolar. A liberdade de o aluno se expressar e de participar de um ambiente escolar que desafie seu pensamento é favorecida, além do exercício de sua capacidade perceptivo-cognitiva e suas habilidades para atuar e interagir em um mundo social que é de todos[1].
Diante dessas concepções, é preciso repensar e analisar o problema da educação escolar dos alunos com surdez, buscando os reais motivos que possam explicar o seu fracasso escolar, entre os quais, a qualidade da educação escolar e das práticas pedagógicas. Muitas destas precisam ser revistas, a fim de transformar suas práticas excludentes em inclusivas para que apresentem caminhos consistentes e produtivos para a educação de pessoas com surdez.
Nesse sentido, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva, trazendo o Atendimento Educacional Especializado para pessoas com surdez, disponibilizando serviços e recursos, vem de encontro aos propósitos de mudanças no ambiente escolar e nas práticas sociais/institucionais para promover a inclusão dos alunos com surdez na escola comum. Esse atendimento tem como função organizar o trabalho complementar para a classe comum, com vistas à autonomia e à independência social, afetiva, cognitiva e lingüística da pessoa com surdez na escola e fora dela.
O AEE se constitui em três momentos:
·         AEE em LIBRAS, de LIBRAS, de Língua Portuguesa.

3.    Conclusão

A organização didática do AEE PS inicia-se com a formação do professor e a partir do diagnóstico inicial do aluno a elaboração do Plano do AEE envolvendo os três momentos respeitando o ambiente comunicacional das duas línguas e a participação ativa e interativa dos alunos com surdez favorecendo a sua total aprendizagem.

Referências Bibliográficas:
Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar Inclusiva das Pessoas com Surdez na Escola Comum: Questões Polêmicas e Avanços Contemporâneos. In: II Seminário Educação Inclusiva: Direito à Diversidade, 2005, Brasília. Anais... Brasília: MEC, SEESP, 2005. P 46- 57



[1] No decreto 5.626, de 5 de dezembro de 2005, as pessoas com surdez têm direito a uma educação que garanta sua formação, em que a língua brasileira de sinais e a língua portuguesa, preferencialmente na sua modalidade escrita, constituam línguas de instrução, e que o acesso às duas línguas ocorra de foram simultânea no ambiente escolar, colaborando para o desenvolvimento de todo o processo educativo.

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